Água e “sustentabilidade”
Sim, a Terra é um planeta cheio de água. Água por todos os lados, mas … 97,5% de toda essa água é salgada e apenas 2,5% doce; desses 2,5%, 2/3 estão confinados em geleiras glaciais; dos 0,8333% restantes, 1/5 encontra-se em áreas remotas demais para o acesso humano e 3/4 provêm das monções e inundações.
“Bem, OK, ainda nos sobram 0,95% para gastar à vontade”. NÃO! Pois mais de 91% desse pouco que temos já está totalmente poluída ou envenenada. Na realidade, sobram-nos apenas 0,08% de água potável fresca, para um consumo que cresce com o crescimento da população. Aliás cresceria, porque hoje já temos gente sem água para consumir, que morre desidratado de fora para dentro.
Segundo o Fórum Internacional sobre Globalização (The International Forum on Globalization), por volta de 2025 a demanda por água fresca será 56% maior.
Relatório do Banco Mundial aponta 80 nações que já sofrem com a escassez de água a ponto de ameaçar a saúde de seus cidadãos e de suas economias.
O Governo dos Estados Unidos prevê que, ao longo dos próximos cinco anos, 36 de seus Estados enfrentarão sérios problemas de escassez de água. Projeções da Barron´s indicam que a despesa com infra-estrutura para obtenção de água adicional atingirá US$ 1 trilhão por volta de 2020.
Hoje temos muito menos água fresca do que tínhamos há 50 anos, quando a população era muito menor. O
que será de nós no futuro? Até para beber nosso próprio “xixi” precisamos de água para produzí-lo. O que será, então, de nossos filhos e netos? Sem água, desidratado, não se consegue nem guerrear pela água.
Não há outra coisa de maior valor para o ser humano e mais crítica para a “sustentabilidade” do mundo do que a água. Nossos mananciais deveriam ser defendidos com unhas e dentes enquanto existem. Nosso consumo geral tem que se reduzir, porque a produção de tudo, inclusive daquelas completas inutilidades que nos matamos de trabalhar e nos endividamos para conseguir, a troco de uma satisfação efêmera, utiliza água. A Economia tem de ser reinventada ou, se isso não for possível, varrida do mapa. Do jeito que a coisa está, falar de “sustentabilidade” sem encarar seriamente o assunto é perda de tempo, é “conversa pra boi dormir”, é marketing somente.
Onde está a verdade?
Fora essas coisas que o mal faz a si mesmo para obter mais poder, há grande espaço para se criar muitas outras do lado do bem. Mas é preciso, para isso, antes de tudo, conhecer e entender a verdade. Não é possível haver paz genuína enquanto não conseguirmos, como indivíduos, transformar a convivência com o outro numa ação motivada por afetos alegres, que multiplique e enriqueça nosso poder de agir. Não é possível haver paz genuína e duradoura enquanto não conseguirmos o mesmo como nação e sociedade, isto é, coletivamente, em relação a outras nações, sociedades e culturas. E não é possível conseguirmos o mesmo coletivamente se não houver perfeita interação entre nossos afetos alegres como indivíduos e como nação, ou seja, a sociedade tornar-se um verdadeiro conjunto de indivíduos, em todas as suas instâncias.
De nação para nação, deve haver o respeito pelas diferenças e sua aceitação, para que a potência de agir dos indivíduos se realize na potência de agir da nação. Não pode haver concessões como aceitar uma “Paz Armada” ou uma “Guerra Preventiva” ou qualquer política que denote a não aceitação dessas diferenças (ainda que no discurso oficial a “aceitação” ocorra).
Para que a nação seja uma realização plena da potência de agir do conjunto dos seus indivíduos é preciso afastar destes os afetos tristes (inveja, ódio, rancor, etc.), o que requer justiça entre os indivíduos e igualdade de oportunidades para todos (algo que faz parte do falso discurso teórico de toda democracia, mas perde validade quando é possível a uns, por herança, nascerem milionários, enquanto outros já nascem até com sua condição nutricional subtraída). Esta constatação nada tem a ver com a utopia marxista. Tampouco tem a ver com qualquer sistema econômico existente, ainda que somente em teoria. É uma verdade que a experiência nos obriga a deduzir. Aplica-se a qualquer mundo minimamente decente que se queira criar.
No Velho Testamento, Deus nos ensinou a ser povo (nação, sociedade). No Novo, por meio de Seu Filho, feito totalmente homem e totalmente Deus, nos ensinou a ser indivíduo. Nossa meta, na era cristã, é reformarmo-nos para sermos indivíduos capazes de organizar uma sociedade (um povo) justo.
Um Adão burro
Mesmo tendo sido criado por Deus (perdoe-me Pai), “Adão foi burro”, como dizia meu amigo RW. Começou a abandonar tudo de maravilhoso que havia em sua vida no Paraíso quando pediu a Deus uma companhia que fosse como ele. E Deus criou a mulher, mas impôs restrições quanto a comer os frutos da árvore do Conhecimento
- Pintura de João Werner
Lúcifer, o Ego, como um traficante dos dias de hoje, travestido de serpente tratou de seduzir sua companheira com o fruto proibido, a droga. Eva, como um viciado dos dias de hoje que vira traficante para sustentar seu vício, tratou de seduzir Adão. E este cometeu a burrice final: aceitou e provou o que não era permitido.
Claro, tinha de ser expulso do Paraíso e trocar sua vida maravilhosa pela de expiação, obrigado, daí por diante, a trabalhar e se sustentar com o próprio suor. Virou discípulo de Lúcifer que tratou de lhe ensinar a criar um mundo de interesses, baseado no culto aos três novos deuses: o Ego, o Medo e o Dinheiro. Resulta daí toda porcaria que hoje colhemos: a inveja, a ganância, o desamor, a injustiça, a violência, etc.
Sobre mulher, religião e futebol, não se discute. Porque acaba em briga e, muito comumente, em morte. Mas o fato de concordar com meu amigo de que Adão foi burro, não significa que tenho algo contra as mulheres. Não, de modo algum. Ao contrário, estamos juntos aqui nesse jogo, crescendo e nos multiplicando, tanto em homens quanto em mulheres, e isso é muito humano.
Deixem-me gritar!
É impressioante a quantidade de energia que o ser humano gasta com coisas inúteis para a sua vida e o quanto deixa de fazer para seu próprio benefício e para o benefício de toda a sociedade, sem se dar conta disso. Anos e anos se passam e continua repetindo o mesmo padrão de evoluçao, um passo à frente, um passo atrás.
Que tipo de coerção sofremos para agir desse modo? Por que nunca paramos para enxergar a verdade ou, quando o fazemos, é apenas de relance, perifericamente, nunca frente-a-frente, logo abandonando o inconformismo existencial interno pelo ruído que vem de fora para convencer de que é tudo assim mesmo, normal, sem nada explicar.
Aceitar o mundo, adaptar-se à vida, não é simplesmente negar os absurdos gritantes que claramente percebemos. Ao contrário, é fazer soar o alarme, para que todos ouçam, e começar a agir para criar e reconstruir a vida que precisamos para ter uma real evolução. Portanto, não me amansem, não me docilizem, deixem-me gritar a favor da vida!
Paz? Amor?
Sim, paz. Todos a querem. Pessoas, nações, animais e até vegetais, todos, sem exceção, almejam a paz. Até mesmo aqueles que vivem de semear competição, discórdia, desperdão, revanche, violência e guerra, lá no fundo, trocariam tudo pela paz, se a pudessem ter.
O que então nos impede de nos reunirmos e, simplesmente, combinar a paz? A inveja, a ganância, o desejo de poder e controle, sem dúvida. Mas de que adianta ter tudo isso e não ter o que mais desejamos, a paz? Será que não sabemos “levantar” as questões corretas?
Bem, o caminho já foi ensinado há muito tempo, mas nós o deturpamos e o adaptamos para manter o poder e o controle, quando precisaríamos, na verdade, fazer exatamente o contrário, isto é, abandonar o poder, abrir mão do controle e enxergar o próximo como um igual, com absoluta humildade. Com outro rosto, outra cara, outro corpo, outra roupa, outros hábitos, mas ainda assim absolutamente igual, perante a O Único que tem verdadeiramente o poder.
“Amar a Deus sobre todas as coisas” é o primeiro mandamento. Vejam, isso significa amá-Lo mais do que a você mesmo, a seu próprio filho, a seus pais — que devem ser honrados e também amados —, a seu marido ou à sua mulher. Por que tamanha “exigência”, ou antes, por que um “conselho” desses? Porque amá-Lo significa também amar a Sua creação, significa em outras palavras amarmo-nos uns aos outros. E é somente dessa maneira que conseguiremos paz!
Não estou aqui advogando a favor de qualquer religião ou igreja, porque estas mais contribuíram para distorcer a palavra de Deus e de Cristo do que para “passar” o verdadeiro ensinamento das escrituras. Ter a capacidade de dissociar uma coisa da outra é fundamental para atingir a essência do que é divino e sagrado.
Não se esqueça de que na hora de sua morte você estará sozinho, mesmo que muitos morram simultaneamente com você. Nessa hora, você também não poderá mandar ninguém no seu lugar. E, fique certo, sua única chance dependerá do que você atingiu e realizou dessa essência divina e sagrada. Pouco importa o quanto você acredite nisso ou não. Assim será.
Falar de paz e amor no mundo de hoje parece romantismo barato. Afinal criamos uma estrutura social tão fortemente geradora de inveja, competição e revanchismo, colocando diferenças de oportunidades tão gigantescas entre os seres (pelo instituto da herança), forçando a miséria a conviver lado a lado com a ostentação imoral e descabida, e, ainda, usamos uma mídia vendida somente ao “poder” para forçar o miserável a desejar o lugar do ostentador, sabendo que isso nunca vai acontecer pelas vias da paz e do amor. Ora, se há inúmeras forças ocultas e negras trabalhando para impedir-nos de resgatar interiormente a única energia creadora do Universo, que é o amor, como vamos ter paz e amor?
No Velho Testamento, Deus nos ensinou o caminho como Povo, o caminho de fora. Pouco quisemos aprender disso. No Novo Testamento, Deus, por meio de Cristo, nos ensinou o caminho como Indivíduo, o caminho de dentro — e hoje é o único que temos, inclusive para retomar o caminho certo como Povo. Logo, só nos resta a ação individual e a esperança de sua multiplicação. Neste caminho, precisamos atuar sozinhos e apesar de todo vento contrário que sopra dessa sociedade dominada por forças escuras e sombrias, sem luz, a não ser a que conseguirmos acender dentro de nós.
Para atravessar o buraco da agulha …
.. você precisa ser pequeno por fora e grande por dentro. Por isso é mais fácil para um camelo (não que seja fácil para um camelo) do que para o rico (não que seja impossível para o rico). Mas riqueza em sua concepção tradicional e vulgar significa acúmulo material, dinheiro e poder. E para conseguí-los você cede a muitas tentações, se reduz por dentro, fica interiormente pobre, enquanto por fora é um gigante.
Se for possível ao rico compreender a eternidade, ele abandonará tudo e buscará recuperar o tempo que perdeu deixando de crescer interiormente. Mas isso não é nem um pouco fácil de compreender. O dinheiro e o poder corrompem, levam a abusos, alimentam o ego. Porém, a falta dele também não garante qualquer crescimento interior, ou seja, não é, neste caso, o oposto.
Gandhi, que era hindu, declarou que, se todos os livros sacros da humanidade fossem perdidos menos “O Sermão da Montanha“, nada estaria perdido. E “O Sermão da Montanha” começa com ” … bem-aventurados os pobres pelo espírito, porque deles é o reino dos céus. …“, isto é, aqueles que, pelo espírito (elevado), são pobres, desapegados das coisas materiais, terão a eternidade, ou têm mais chances de retornar à casa dO Pai.
Em toda minha vida, conheci apenas UM rico verdadeiramente desapegado das coisas materiais, rico mas humilde, que desdenhou o poder que o dinheiro dá e tratou de crescer interiormente esquecendo-se de si próprio para cuidar dos outros. Era médico e seu nome Lothario Americano, a quem hoje, especialmente, eu reverencio.
Robert Happé
Presto minha reverência à pureza e clareza deste filósofo nascido em Amsterdan, que consegue entender o porquê e o para quê vivemos. Em sua simplicidade, distingue a realidade que poderíamos e deveríamos ter da realidade que de fato construímos e que suscita as questões das postagens anteriores. Veja sua entrevista em inglês, com legendas em português (clique no play).
Quem inventou a ECONOMIA?
Falo da ECONOMIA atual. Produção em série, larga escala, mercados auto-regulados, moedas diferentes, bancos, privatização, globalização, câmbio, recurso natural não-contabilizado, barganha, monopólios e oligopólios, etc. Me entenderam?
Então sabem que a minoria de capitalistas que detêm o poder econômico (igual a: político, social, educacional e tudo o mais) precisa muito que o CONSUMO cresça, primeiro para aumentar preço e margem e depois para investir, gerar emprego, criar mais renda e mais consumo – para vender mais.
Ocorre que praticamente tudo o que é produzido utiliza em maior ou menor grau recursos naturais, os quais estão se exaurindo, de modo que se quisermos existir no futuro precisamos REDUZIR em muito nosso consumo, nossa produção e nossa jornada de trabalho, além de distribuir a renda de modo mais equitativo e justo. E isso não combina com essa invenção chamada Economia.
O que fazer?
Fico aqui recebendo informações de todos os cantos do mundo sobre as diversas formas de como a vida se está estinguindo na Terra. Exaustão de recuros naturais, perda de florestas, desertificação de regiões antes prósperas, espécimens em extinção, rios e mares poluídos, falta d´água, crise de energia, guerras injustificadas, violência urbana, caos no trânsito das grandes e hoje até das pequenas cidades, etc.
Tudo isso em nome do crescimento econômico e do crescimento populacional ou, numa outra forma de ler isso, em nome do consumo que privilegia uma minoria e da miséria que contempla a maioria.
Pergunto-me: é correto? é justo? é inevitável? ou tudo deve ser repensado e, neste caso, o que fazer? Sei que quem estiver lendo isto dirá: “você se pergunta? você e toda torcida do Corínthians!” Pois é, reconheço. Mas então porque não mudamos tudo isso? O que fazer?
