Para atravessar o buraco da agulha …
.. você precisa ser pequeno por fora e grande por dentro. Por isso é mais fácil para um camelo (não que seja fácil para um camelo) do que para o rico (não que seja impossível para o rico). Mas riqueza em sua concepção tradicional e vulgar significa acúmulo material, dinheiro e poder. E para conseguí-los você cede a muitas tentações, se reduz por dentro, fica interiormente pobre, enquanto por fora é um gigante.
Se for possível ao rico compreender a eternidade, ele abandonará tudo e buscará recuperar o tempo que perdeu deixando de crescer interiormente. Mas isso não é nem um pouco fácil de compreender. O dinheiro e o poder corrompem, levam a abusos, alimentam o ego. Porém, a falta dele também não garante qualquer crescimento interior, ou seja, não é, neste caso, o oposto.
Gandhi, que era hindu, declarou que, se todos os livros sacros da humanidade fossem perdidos menos “O Sermão da Montanha“, nada estaria perdido. E “O Sermão da Montanha” começa com ” … bem-aventurados os pobres pelo espírito, porque deles é o reino dos céus. …“, isto é, aqueles que, pelo espírito (elevado), são pobres, desapegados das coisas materiais, terão a eternidade, ou têm mais chances de retornar à casa dO Pai.
Em toda minha vida, conheci apenas UM rico verdadeiramente desapegado das coisas materiais, rico mas humilde, que desdenhou o poder que o dinheiro dá e tratou de crescer interiormente esquecendo-se de si próprio para cuidar dos outros. Era médico e seu nome Lothario Americano, a quem hoje, especialmente, eu reverencio.