Paz? Amor?
Sim, paz. Todos a querem. Pessoas, nações, animais e até vegetais, todos, sem exceção, almejam a paz. Até mesmo aqueles que vivem de semear competição, discórdia, desperdão, revanche, violência e guerra, lá no fundo, trocariam tudo pela paz, se a pudessem ter.
O que então nos impede de nos reunirmos e, simplesmente, combinar a paz? A inveja, a ganância, o desejo de poder e controle, sem dúvida. Mas de que adianta ter tudo isso e não ter o que mais desejamos, a paz? Será que não sabemos “levantar” as questões corretas?
Bem, o caminho já foi ensinado há muito tempo, mas nós o deturpamos e o adaptamos para manter o poder e o controle, quando precisaríamos, na verdade, fazer exatamente o contrário, isto é, abandonar o poder, abrir mão do controle e enxergar o próximo como um igual, com absoluta humildade. Com outro rosto, outra cara, outro corpo, outra roupa, outros hábitos, mas ainda assim absolutamente igual, perante a O Único que tem verdadeiramente o poder.
“Amar a Deus sobre todas as coisas” é o primeiro mandamento. Vejam, isso significa amá-Lo mais do que a você mesmo, a seu próprio filho, a seus pais — que devem ser honrados e também amados —, a seu marido ou à sua mulher. Por que tamanha “exigência”, ou antes, por que um “conselho” desses? Porque amá-Lo significa também amar a Sua creação, significa em outras palavras amarmo-nos uns aos outros. E é somente dessa maneira que conseguiremos paz!
Não estou aqui advogando a favor de qualquer religião ou igreja, porque estas mais contribuíram para distorcer a palavra de Deus e de Cristo do que para “passar” o verdadeiro ensinamento das escrituras. Ter a capacidade de dissociar uma coisa da outra é fundamental para atingir a essência do que é divino e sagrado.
Não se esqueça de que na hora de sua morte você estará sozinho, mesmo que muitos morram simultaneamente com você. Nessa hora, você também não poderá mandar ninguém no seu lugar. E, fique certo, sua única chance dependerá do que você atingiu e realizou dessa essência divina e sagrada. Pouco importa o quanto você acredite nisso ou não. Assim será.
Falar de paz e amor no mundo de hoje parece romantismo barato. Afinal criamos uma estrutura social tão fortemente geradora de inveja, competição e revanchismo, colocando diferenças de oportunidades tão gigantescas entre os seres (pelo instituto da herança), forçando a miséria a conviver lado a lado com a ostentação imoral e descabida, e, ainda, usamos uma mídia vendida somente ao “poder” para forçar o miserável a desejar o lugar do ostentador, sabendo que isso nunca vai acontecer pelas vias da paz e do amor. Ora, se há inúmeras forças ocultas e negras trabalhando para impedir-nos de resgatar interiormente a única energia creadora do Universo, que é o amor, como vamos ter paz e amor?
No Velho Testamento, Deus nos ensinou o caminho como Povo, o caminho de fora. Pouco quisemos aprender disso. No Novo Testamento, Deus, por meio de Cristo, nos ensinou o caminho como Indivíduo, o caminho de dentro — e hoje é o único que temos, inclusive para retomar o caminho certo como Povo. Logo, só nos resta a ação individual e a esperança de sua multiplicação. Neste caminho, precisamos atuar sozinhos e apesar de todo vento contrário que sopra dessa sociedade dominada por forças escuras e sombrias, sem luz, a não ser a que conseguirmos acender dentro de nós.