Blog do Marçal

Economia, sociedade, cultura e filosofia pós-moderna

Archive for Setembro 2008

Água e “sustentabilidade”

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Sim, a Terra é um planeta cheio de água. Água por todos os lados, mas … 97,5% de toda essa água é salgada e apenas 2,5% doce; desses 2,5%, 2/3 estão confinados em geleiras glaciais; dos 0,8333% restantes, 1/5 encontra-se em áreas remotas demais para o acesso humano e 3/4 provêm das monções e inundações.

“Bem, OK, ainda nos sobram 0,95% para gastar à vontade”. NÃO! Pois mais de 91% desse pouco que temos já está totalmente poluída ou envenenada. Na realidade, sobram-nos apenas 0,08% de água potável fresca, para um consumo que cresce com o crescimento da população. Aliás cresceria, porque hoje já temos gente sem água para consumir, que morre desidratado de fora para dentro.

Segundo o Fórum Internacional sobre Globalização (The International Forum on Globalization), por volta de 2025 a demanda por água fresca será 56% maior.

Relatório do Banco Mundial aponta 80 nações que já sofrem com a escassez de água a ponto de ameaçar a saúde de seus cidadãos e de suas economias.

O Governo dos Estados Unidos prevê que, ao longo dos próximos cinco anos, 36 de seus Estados enfrentarão sérios problemas de escassez de água. Projeções da Barron´s indicam que a despesa com infra-estrutura para obtenção de água adicional atingirá US$ 1 trilhão por volta de 2020.

Hoje temos muito menos água fresca do que tínhamos há 50 anos, quando a população era muito menor. O que será de nós no futuro? Até para beber nosso próprio “xixi” precisamos de água para produzí-lo. O que será, então, de nossos filhos e netos? Sem água, desidratado, não se consegue nem guerrear pela água.

Não há outra coisa de maior valor para o ser humano e mais crítica para a “sustentabilidade” do mundo do que a água. Nossos mananciais deveriam ser defendidos com unhas e dentes enquanto existem. Nosso consumo geral tem que se reduzir, porque a produção de tudo, inclusive daquelas completas inutilidades que nos matamos de trabalhar e nos endividamos para conseguir, a troco de uma satisfação efêmera, utiliza água. A Economia tem de ser reinventada ou, se isso não for possível, varrida do mapa. Do jeito que a coisa está, falar de “sustentabilidade” sem encarar seriamente o assunto é perda de tempo, é “conversa pra boi dormir”, é marketing somente.

Escrito por rubensmarcal

Setembro 23, 2008 em 4:25 pm

Onde está a verdade?

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Fora essas coisas que o mal faz a si mesmo para obter mais poder, há grande espaço para se criar muitas outras do lado do bem. Mas é preciso, para isso, antes de tudo, conhecer e entender a verdade. Não é possível haver paz genuína enquanto não conseguirmos, como indivíduos, transformar a convivência com o outro numa ação motivada por afetos alegres, que multiplique e enriqueça nosso poder de agir. Não é possível haver paz genuína e duradoura enquanto não conseguirmos o mesmo como nação e sociedade, isto é, coletivamente, em relação a outras nações, sociedades e culturas. E não é possível conseguirmos o mesmo coletivamente se não houver perfeita interação entre nossos afetos alegres como indivíduos e como nação, ou seja, a sociedade tornar-se um verdadeiro conjunto de indivíduos, em todas as suas instâncias.

De nação para nação, deve haver o respeito pelas diferenças e sua aceitação, para que a potência de agir dos indivíduos se realize na potência de agir da nação. Não pode haver concessões como aceitar uma “Paz Armada” ou uma “Guerra Preventiva” ou qualquer política que denote a não aceitação dessas diferenças (ainda que no discurso oficial a “aceitação” ocorra).

Para que a nação seja uma realização plena da potência de agir do conjunto dos seus indivíduos é preciso afastar destes os afetos tristes (inveja, ódio, rancor, etc.), o que requer justiça entre os indivíduos e igualdade de oportunidades para todos (algo que faz parte do falso discurso teórico de toda democracia, mas perde validade quando é possível a uns, por herança, nascerem milionários, enquanto outros já nascem até com sua condição nutricional subtraída). Esta constatação nada tem a ver com a utopia marxista. Tampouco tem a ver com qualquer sistema econômico existente, ainda que somente em teoria. É uma verdade que a experiência nos obriga a deduzir. Aplica-se a qualquer mundo minimamente decente que se queira criar.

No Velho Testamento, Deus nos ensinou a ser povo (nação, sociedade). No Novo, por meio de Seu Filho, feito totalmente homem e totalmente Deus, nos ensinou a ser indivíduo. Nossa meta, na era cristã, é reformarmo-nos para sermos indivíduos capazes de organizar uma sociedade (um povo) justo.

Escrito por rubensmarcal

Setembro 15, 2008 em 9:07 am

Publicado em Economia e sociedade