Onde está a verdade?
Fora essas coisas que o mal faz a si mesmo para obter mais poder, há grande espaço para se criar muitas outras do lado do bem. Mas é preciso, para isso, antes de tudo, conhecer e entender a verdade. Não é possível haver paz genuína enquanto não conseguirmos, como indivíduos, transformar a convivência com o outro numa ação motivada por afetos alegres, que multiplique e enriqueça nosso poder de agir. Não é possível haver paz genuína e duradoura enquanto não conseguirmos o mesmo como nação e sociedade, isto é, coletivamente, em relação a outras nações, sociedades e culturas. E não é possível conseguirmos o mesmo coletivamente se não houver perfeita interação entre nossos afetos alegres como indivíduos e como nação, ou seja, a sociedade tornar-se um verdadeiro conjunto de indivíduos, em todas as suas instâncias.
De nação para nação, deve haver o respeito pelas diferenças e sua aceitação, para que a potência de agir dos indivíduos se realize na potência de agir da nação. Não pode haver concessões como aceitar uma “Paz Armada” ou uma “Guerra Preventiva” ou qualquer política que denote a não aceitação dessas diferenças (ainda que no discurso oficial a “aceitação” ocorra).
Para que a nação seja uma realização plena da potência de agir do conjunto dos seus indivíduos é preciso afastar destes os afetos tristes (inveja, ódio, rancor, etc.), o que requer justiça entre os indivíduos e igualdade de oportunidades para todos (algo que faz parte do falso discurso teórico de toda democracia, mas perde validade quando é possível a uns, por herança, nascerem milionários, enquanto outros já nascem até com sua condição nutricional subtraída). Esta constatação nada tem a ver com a utopia marxista. Tampouco tem a ver com qualquer sistema econômico existente, ainda que somente em teoria. É uma verdade que a experiência nos obriga a deduzir. Aplica-se a qualquer mundo minimamente decente que se queira criar.
No Velho Testamento, Deus nos ensinou a ser povo (nação, sociedade). No Novo, por meio de Seu Filho, feito totalmente homem e totalmente Deus, nos ensinou a ser indivíduo. Nossa meta, na era cristã, é reformarmo-nos para sermos indivíduos capazes de organizar uma sociedade (um povo) justo.